27/04/2008

O FAÍSCA

Sendo eu de Mangualde não poderia deixar de fazer aqui referência a uma lenda do ciclismo. Eu digo que é uma lenda, pois desde criança que ouço o meu pai falar no "Faísca". Histórias da volta a Portugal de contorno caricato, desde parar numa tasca para beber um tinto, etc. Foram muitas a histórias que ouvi do Faísca, mas sempre associadas a um perfil de campeão, um atleta que não tinha rival. Pois bem fiz um trabalho de investigação e descobri alguma coisa sobre ele.
Primeiro, o seu nome era JOSÉ ALBUQUERQUE.

Após a conclusão do ensino primário na aldeia de Oliveira, José Albuquerque, um dos filhos de Henrique Albuquerque, patriarca de uma família numerosa e abastada para a época, foi aprender o ofício de barbeiro para Mangualde.
Fazia diariamente o percurso de bicicleta, um privilégio para a época. A velocidade que imprimia e o facto de frequentemente se referir a um cavalo do pai, com o nome de "Faísca", estiveram na origem da sua alcunha. Nas deslocações da Quinta da Aldeia para Mangualde, sempre a subir, Albuquerque colocava pequenos sacos de areia no suporte traseiro da bicicleta para exercitar os músculos.

José Albuquerque nasceu a 20 de Setembro de 1916 na aldeia de Quinta da Moita, no concelho de Mangualde, tendo ficado imortalizado no ciclismo com a alcunha de "Faísca". Cedo o corredor do Sporting evidenciou dotes para a modalidade, dominando, com apenas 10 anos, provas de carácter regional, numa altura em que o ciclismo era já um dos desportos mais populares.
A ascenção de "Faísca" no pelotão nacional começou em 1936 com 20 anos, ano em que venceu inúmeras provas, algumas já de âmbito nacional. José Albuquerque brilhava essencialmente na montanha, onde alcançava vantagem sobre os adversários. Venceu duas voltas a Portugal, a primeira pelo Campo de Ourique (1938) a outra pelo Sporting (1940).
Mas a vida de "Faísca" pós-ciclismo não foi fácil, tendo até contornos de tragédia. Em 1961, em Angola, país para onde foi viver na década de 40 e após ter deixado a competição, a sua mulher e filhos foram brutalmente assassinados durante a sua ausência. Mergulhado na dor e no álcool, o corredor enfrenta dias complicados até regressar a Portugal nos anos 70. José Albuquerque viria a falecer dez anos mais tarde vítima de atropelamento em Mangualde.


"trabalho de pesquisa sustentado na publicação Centenário do Sporting"

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